Exclusivo: “Reafirmo meu compromisso com os excedentes do Concurso da PM”, diz deputado eleito Cabo Campos.

Retomando a série “Conversa com os eleitos”, o blog da Cristiana França retorna em grande estilo, exibindo a entrevista exclusiva com a maior surpresa das eleições 2014: o deputado estadual eleito Cabo Campos. Uma pessoa religiosa, de personalidade forte, temente a Deus, popular e diferente por natureza. Entre os temas abordados durante a conversa, a vitória de Flávio Dino, o compromisso de Cabo Campos com a classe dos militares, e o seu desejo pessoal de fazer parte da Comissão de Segurança da Assembleia. Acompanhe abaixo a entrevista com o deputado estadual eleito pelo Partido Progressista (PP), Cabo Campos.

Quem é, de fato, o Cabo Campos?

Sou Roberto Campos Filho, mais conhecido como Cabo Campos. Policial militar de carreira, nascido e criado no bairro do João Paulo, vindo de uma família pobre, e que sempre lutou por melhores condições para sua categoria. Logo no ano de 1992, me formei como técnico metalúrgico, e entrei para a Polícia Militar do Maranhão, sempre batalhando por melhores condições e valorização profissional.

– De onde surgiu essa vontade de entrar na política e quando começou exatamente?

Entrei na política em 2006, quando concorri ao cargo de deputado estadual, onde obtive 2.559 votos. Na época, não tínhamos um carro para andar, a coisa só aconteceu na amizade e força de vontade. Dois anos depois, em 2008, me candidatei à vereança, onde sofri mais uma derrota. Já no ano de 2010, não concorri a nada e apoiamos o atual prefeito de Grajaú, capitão Otsuka, para deputado estadual. Em 2012, veio o convite da irmã Eliziane Gama, para chapa de vice prefeito.

– O senhor foi eleito com quase 20 mil votos e é considerado a surpresa das eleições 2014. A que se deve este grande feito?

Eu não quero parecer piegas, mas toda honra e toda glória seja dada ao Senhor Jesus, e aproveito para agradecer a três segmentos fenomenais que fizeram parte disso: os cristãos, em especial a Igreja Mundial do Poder de Deus; a igreja católica e todos os irmãos que me ajudaram muito, até mais do que eu imaginava; a comunidade, pois sempre trabalhamos nessa questão social, com palestras nas escolas, abordando a questão das drogas, entre outros assuntos. E diante disso, acho que a minha votação foi um grito de socorro, pois nossa corporação é o para-choque da sociedade. Não somos valorizados como tal, e está será a primeira vez em 178 anos de história que a classe terá um legítimo representante ocupando uma cadeira na Assembleia Legislativa.

– O senhor é filiado ao Partido Progressista (PP), que apoiou o governador eleito Flávio Dino. Qual será o seu posicionamento dentro da casa em relação ao novo governo? E sobre a eleição para presidência da AL, como estão as articulações?

Apoiamos o governador eleito Flávio Dino, temos esperança com ele e vamos continuar com ele. Acreditamos nas propostas dele e vamos estar com ele como sendo base do seu governo. Já sobre a presidência da AL, as negociações estão apenas começando. Temos o deputado estadual eleito Humberto Coutinho, que é uma pessoa de caráter, do bem, de bom posicionamento, candidato do governador, o que também pesa, e sem dúvida é um bom referencial, haja vista que não surgiu outro nome, e é uma articulação que tem tudo para dar certo.

– Uma vez deputado estadual, o senhor deseja fazer parte de uma comissão em especial?

Sim, desejo fazer parte da Comissão de Segurança da Assembleia, pois creio que podemos ajudar bastante nisso, e creio que vai ser a primeira vez que alguém do baixo clero vai ser ouvido, onde a Casa terá um intermediador de fato no que diz respeito à segurança pública, e eu quero ser a pessoa que vai ser o referencial da segurança naquela Casa. Aliado a isso, vamos precisar da experiência dos Deputados Raimundo Cutrim, do potencial do Dr Levi Pontes (Coronel aposentado da Polícia), da juventude do Júnior Verde, e fazer um bom trabalho na AL.

Na diplomação, já houve um protesto dos aprovados da PM, o senhor já conversou com o secretário Jefferson portela sobre o que vai se fazer já no começo de 2015?

Esse movimento dos excedentes começou comigo há 1 ano e meio. Fui procurado por um grupo de excedentes, onde manifestaram o desejo de adentrar nas três corporações. A partir daí, fomos as ruas, com faixas e cartazes, de maneira ordeira, pacífica, tivemos reunião com a procuradora, com o secretário da Seplan do Estado na época, Fábio Gondim, representantes da OAB, enfim, tentamos intermediar de todas as maneiras até com o comandante geral, para que eles pudessem ser chamados antes, porém, não foi possível nesse governo. Mas, nós já tivemos reunião com o futuro secretário de Segurança Pública do Maranhão, delegado Jefferson portela e é uma promessa do governo Flávio Dino de dobrar o número de policiais, onde nós temos uma mão de obra qualificada, cheia de garra querendo adentrar. E aqui reafirmo meu compromisso com os excedentes, pois, polícia é número, você tem que estar com o número maior do que o seu inimigo, e nosso efetivo é o menor do Brasil, são quase mil habitantes para um policial, o que é inadmissível. Nesse dia da diplomação, tive a honra de conduzir Flávio Dino até o grupo que lá estava presente. O governador eleito conversou com eles e disse que vai prorrogar o concurso por mais um ano para que ele possa estudar os casos, pois temos muitos excedentes que estão sub judice, já outros fizeram todas as etapas, estando aptos a entrar. O que vai mudar a realidade da gente é a força de vontade, é a chamada “vontade política” que o atual governo não teve e que Flávio Dino vai ter e fazer.

– Hoje vivemos uma onda de criminalidade absurda. Já foram mais de mil homicídios no ano de 2014, como o senhor avalia o papel da Polícia hoje?

A corporação tem feito milagre, pois se não fosse a Polícia Militar do Maranhão, o que seria da nossa sociedade? Já chegamos ao cúmulo de ir para as ruas pedir armamento, colete para cada policial e somente por causa dessa atitude que tivemos, hoje isso é uma realidade, mas infelizmente ainda existe toda uma deficiência de material humano e de equipamentos. Por exemplo, temos duas viaturas cobrindo toda a área da zona rural, onde tem quase 100 mil habitantes, isso é inadmissível. Precisamos mudar essa realidade.

– Qual a mensagem que o senhor deixa para os maranhenses?

Quero dizer que vamos trabalhar com amor, com afinco, e com isso, o Maranhão vai avançar bastante. Hoje nós vivenciamos também uma situação de acomodação de algumas pessoas que poderiam fazer algo, mas que não fazem absolutamente nada. A população do Maranhão terá um deputado trabalhador, e para isso, já estou indo atrás de informações sobre o funcionamento da Casa, seus regimentos, bem como as apresentações de projetos, me preparando para começar com o pé direito.

Deixe uma resposta